sábado, 29 de outubro de 2011

Dos Reis Magos a Vila Madalena

Criado pelos catequistas da época do Brasil-Colônia, o Maracatu surgiu como uma forma de tentar aproximar as crenças dos indígenas e dos negros ao catolicismo. Sua origem relaciona-se às festas em honra aos Reis Magos, que foram instituídas pelos missionários catequistas. Nascido como cerimônia católica de coroação do Rei e da Rainha do Congo, acontecia na dia de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.



Ao longo dos séculos, o Maracatu difundiu-se principalmente entre os negros, tornando-se uma manifestação cultural típica do Nordeste. Nos tempos mais recentes, através dos processos migratórios para o Sul e Sudeste, essa dança se espalhou por várias partes do país.


Como grande pólo de atração de emigrantes nordestinos, São Paulo começou a testemunhar “pessoalmente” a prática do Maracatu, culminando nos dias atuais onde temos diversos grupos de ensino do Maracatu espalhados pela cidade. Um deles é o Grupo Bloco de Pedra, que trabalha com o Maracatu de Baque Virado.



Fundado em Janeiro de 2005, o Bloco de Pedra possui cerca de 80 músicos e 20 dançarinos e integra o projeto Calo na Mão, que oferece três atividades: a Oficina de Maracatu, o Curso de Introdução ao Maracatu e a Oficina de Construção de Instrumentos. As atividades são sempre realizadas na Escola Profº A. Alves Cruz, na Vila Madalena, São Paulo, aos Sábados, das 14 às 17 horas, exceto a Oficina de Instrumentos, que é ministrada das 10 às 13 horas.


Chama a atenção nos ensaios e aulas do grupo, o entrosamento e a alegria dos alunos, professores e visitantes, todos envolvidos pelo ritmo forte e contagiante dos tambores. As roupas típicas completam o espetáculo de cor e movimento da dança.


Conversando com os alunos e visitantes, encontramos pessoas que no dia-a-dia exercem tarefas comuns, mas que não dispensam esse “descarrego” do stress proporcionado pelo Maracatu. Vale ressaltar que as aulas de todas as atividades são gratuitas, o que proporciona a participação de pessoas de todas as classes sociais.


 Mais uma opção de lazer e cultura pouco difundida na cidade, o grupo Bloco de Pedra se destaca com um trabalho belo e persistente, aproximando uma parte da cultura tradicional brasileira à essa metrópole de todos os povos que é São Paulo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Avenida Paulista trabalho, correria, estresse e Capoeira!

Apesar de muito conhecida, poucas pessoas tem o conhecimento que a capoeira foi um importante instrumento na luta e libertação dos escravos.
Após a abolição da escravatura e durante um longo período os capoeiristas foram considerados como marginais pela sociedade, devido à liberdade alguns escravos não tinham como sobreviverem e assim usavam da capoeira para saquear casas e mercearias marginalizando assim todos os capoeiristas. Por esse motivo Marechal Deodoro da Fonseca em 1890 introduziu a capoeira no Código Penal Brasileiro, decreto número 847, de 11 de Outubro de 1890, decretando a proibição da capoeira, como as penas eram severas aos praticantes, por anos a capoeira foi praticada as escondidas em becos, vilas e praias. Na década de 30, após uma apresentação de Mestre Bimba, a capoeira foi reconhecida como pratica esportiva e finalmente liberada pelo então presidente da Republica Getúlio Vargas.


Preparando os instrumentos para começar a roda.

Atualmente, a Capoeira adquiriu e vem adquirindo, conquistando novas roupagens, se tornando consumível a um número maior de pessoas. Recebe divulgação e cria mercados e mercadorias em função da sua prática.
Aquecimento da Bateria.
Hoje ela é praticada por muitos jovens das mais diferentes classes em escolas, nas ruas, em grandes eventos, em projetos sociais de sucesso, nas universidades, nas academias de arte marcial, em campeonatos nacionais e internacionais, e cada vez mais conquista o mérito de autêntica cultura nacional. Prova real disso é a concentração de capoeirista do Grupo Abadá Capoeira que pelo menos uma sexta feira do mês que chama total atenção dos transeuntes e estudantes dos arredores com sua bela apresentação em frente ao Prédio da Fundação Gazeta na Avenida Paulista.

Capoeira não discuti classe, religião ou credo, mas acolhe a todos.

A Capoeira, de um modo geral, independente da escola, ainda guarda certo apelo de volta às origens, produzindo identidade entre pessoas e grupos. Ao incorporar determinadas características culturais, a Capoeira vai pouco a pouco se misturando, tal como a cultura brasileira vem fazendo.
Capoeira Angola tradição total.

Assim como no seu início, a Capoeira atualmente também agrega diferentes pessoas de diferentes origens étnicas, culturais, sociais e ideológicas, dando sentido a essa multiplicidade por meio dos seus fundamentos.
O público praticante de Capoeira no Brasil é um público jovem, que vê na prática da Capoeira a resposta para o ideal de juventude que busca para si, um ideal associado à beleza, à liberdade, à curtição, ao vigor físico, etc. Por ser uma rica e complexa manifestação cultural, a Capoeira incorpora os valores e os códigos de seu tempo, adapta-se a eles e se reinventa a partir deles.
Movimentos precisos, com muita malicia e gingado.
Associada à marginalidade no passado, a Capoeira hoje atrai cada vez mais adeptos para a sua filosofia e praticantes para as suas técnicas. Conseguiu destaque no cenário internacional dos esportes de combate, nas academias no exterior, e, até mesmo na diplomacia, pois cada vez que o Brasil faz qualquer apresentação cultural oficial no exterior, a Capoeira está entre as atrações da apresentação.

Roda de capoeira

Por fim, cabe dizer que a Capoeira é o único esporte genuinamente brasileiro. Arraigada a cultura da nossa nação, deve ser cada vez mais valorizada e praticada, pois é um patrimônio histórico, desportivo, cultural e artístico do povo brasileiro.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Salão Duas Rodas 2011

Salão Duas Rodas 2011

Entre os dias 04 e 09 de outubro de 2011, aconteceu no pavilhão de exposições do Anhembi a 11ª edição do Salão Duas Rodas, evento voltado aos apaixonados por motos, bicicletas e quadriciclos. Entre os expositores, marcaram presença as grandes montadoras nacionais, como Honda, Yamaha, Suzuki, Dafra e Kasinski. Dentre os internacionais, destaque para BMW, KTM e a recém emancipada Harley-Davidson.
  Quadriciclos de luxo expostos no estande da Can-Am

As montadoras nacionais fizeram bonito e levaram suas linhas completas para o Salão, permitindo aos empolgados visitantes conhecerem de perto os bólidos que figuram em suas listas de desejos, como as concorridas superesportivas de mais de 1000 cilindradas.
No quesito popularidade, assim como as esportivas, as econômicas scooters mostraram todo seu carisma, provocando filas de visitantes em busca de informações com os representantes, indicando o grande interesse do público em soluções de transporte para as grandes cidades como São Paulo.
Falando em soluções de transporte, outro ponto notável foi o interesse do público nas bicicletas, o que mostra que o conceito de bicicleta como meio de transporte, e não só de lazer, está cada vez mais popular. A grande presença de fabricantes de bicicletas, principalmente motorizadas, mostrou que a indústria percebeu essa mudança de comportamento e está agindo de acordo.
As magrelas marcaram sua presença no Salão Duas Rodas

Outro nicho bastante procurado pelos clientes foi o de acessórios, onde figuraram como estrelas os capacetes e botas, e como coadjuvantes, luvas, vestimentas especiais e óculos de proteção.
Acessórios também tiveram destaque na feira
Além dos acessórios para o motociclista, os empresários da área da manutenção não foram esquecidos. Diversos fabricantes de ferramentas e acessórios que visam otimizar o trabalho desses profissionais levaram seus produtos para o evento. Plataformas, ferramentas, peças e até soluções completas de lay-out de oficinas podiam ser analisados, testados e encomendados.
Peças e ferramentas inovadoras agradaram aos empresários do ramo da manutenção

Voltando às montadoras, não podemos deixar de falar da BMW, que trouxe seus principais modelos ao Salão, acenando ao ascendente mercado das motos de luxo. Em seu estande foi montado também um espaço exclusivo para quem já é cliente da marca alemã, com o intuito de mostrar aos futuros clientes que eles não serão esquecidos após fazer o pagamento.
Marcas internacionais como a BMW se aproximaram mais do público brasileiro

Mas o destaque da feira não foram os dedicados alemães, mas os ousados americanos. Após anos de conflitos judiciais com o Grupo Izzo (seu ex-representante no Brasil), a Harley-Davidson chega com força total em território canarinho, afim de recuperar rapidamente o terreno (e principalmente os clientes) perdido durante a má atuação de seu ex-parceiro. Estande luxuoso, assessores atenciosos, promoters simpáticas e bem informadas (coisa raríssima nesse tipo de evento), duas lojas de acessórios (uma para as motos e outra para os motociclistas), além de um típico bar americano a la Rota 66. Tudo isso para mostrar que a impressão deixada nos últimos anos não condiz com as intenções que a marca tem para o Brasil. Cabe ressaltar que dentre as importadas, a Harley foi a única que trouxe sua linha completa, não só os modelos que são ou serão comercializados no país, indicando que sua linha de produtos não será engessada como as de outras marcas.
A Harley-Davidson mostrou que quer conquistar os brasileiros perdidos pelo Grupo Izzo
Para o final, não poderíamos deixar de citar o “produto” mais procurado e mais desejado do Salão Duas Rodas. Assim como no Salão do Automóvel, as máquinas perdem um pouco de seu brilho para as belíssimas modelos contratadas para recepcionar os visitantes nos estandes. De cada 10 fotografias tiradas pelo homens presentes, 9 certamente eram das modelos.
Modelo da Suzuki mostra simpatia no Salão Duas Rodas

Homens adoram motos, e se as motos estiverem “decoradas” por belas mulheres, melhor ainda, por isso, ponto certo para a Dafra, que contou com as panicats Juju Salimeni e Babi Rossi em seu estande na primeira noite do evento. Uma multidão de marmanjos se aglomerou ao redor das duas beldades, que por quase duas horas, posaram pacientemente para fotografias com os ainda mais pacientes visitantes que enfrentaram a enorme fila para chegar mais perto das duas.
Triciclo KVRA, de Alexandre Marzola foi veículo mais excêntrico do Salão

No geral, podemos dizer que essa 11ª edição do Salão Duas Rodas evoluiu em relação ao último, o que não compensa os mesmos problemas de sempre, como deficiente praça de alimentação com preços abusivos, obstáculos à circulação pelos corredores (problema recorrente do Anhembi), quantidade de bloqueios de acesso e totens de auto-atendimento insuficientes e funcionários mal-informados e despreparados.  A evolução maior fica por conta das montadoras, que apresentaram instalações de bom nível, estandes interessantes e bem dimensionados, acesso livre e indiscriminado aos produtos apresentados, enfim, o tipo de respeito que o público brasileiro gosta e merece receber. Só falta a Alcântara Machado aprender um pouco com seus clientes para termos uma feira realmente de padrão internacional.